sábado, 17 de março de 2012

Exclusão, Rejeição, questão de sentir, olhar e viver...

Exclusão, Rejeição, questào de sentir, olhar e viver...

Faz dois anos que deixei de escrever e atualizar meu blog, mas a vida por muitos motivos, bons, não bons, nos impulsiona a pararmos, proosseguirmos, reativarmos todas as possibilidades que vão aparecendo pela nossa frente, e assim, retorno ao goal de meu blog : Incluir Todos Os Tipos De Exclusão através de um espaço de expressão, e hoje, todos estes meios funcionam tanto e nos ajudam a nos sentirmos mais aliviados diante do nosso tipo de rejeição, exclusão, preconceito ou dor, diretamente ou indiretamente à nós, pois ninguém està livre de nada desta vida, esta certeza é uma das ünicas que nös temos.

 Na vida acreditava que haviam alguns tipos de rejeição apenas para os que trazem consigo algum tipo de diferença aparente, diferença esta que provoca nas pessoas a princípio, digo, em algumas pessoas, o tal olhar feio, sentir estranho, deboche ou gozação e por fim a rejeiçào e exclusão destas pessoas sofridas, aqui cabe Todos os tipos de diferenças que causam algum tipo parcial ou total de exclusão ou ao menos apontamentos e crítica, muitas delas destrutivas e que pioram ainda mais o quadro do "rejeitado".

Não sou falsa moralista e nem perfeita e menos ainda exigente, uma vez que para sermos respeitados precisamos dar respeito, nisso eu creio, e goela abaixo, ninguèm tem a obrigação de engolir nada, menos ainda pessoas, convivio humano, agora, constitucionalmente, para não dizermos humanamente falando, bom senso, tolerância precisamos ter com nosso próximo, porque ninguém na vida opta dolosamente por escolher o caminho mais difîcil para sobreviver, o diferente digamos assim, ė levado, ou comduzido a este caminho de pedras e farpas, por conta do quadro que nasceu com ele, ou que ocorreu no decurso de sua vida, ou que as vezes sem sua escolha e apaenas pela ou por condição ele traz em sua vida como se fosse um carimbo aparente ou não.

Dói muito a rejeição, digo aqui de qualquer tipo, ser apontado, agredido verbalmente, deixado de lado, apenas por conta de um quadro externo ao seu caráter deve ou melhor é um tipo de exclusão, rejeição absurdamente dolorido, o qual te leva ou pode te levar para um quadro de baixa estima, depressão, enclausuramento, dependendo ainda mais, de onde vem estes apontamentos, e esta rejeicão, se a procedencia vem de quem gostamos ou amamos, DE DENTRO DE CASA OU DA FAMÍLIA, tudo se complica ainda mais, o apontado, perde o prumo e se acha ainda pior do que é ou do que está passando.

Assim precisamos cuidar e evitar falar em tom diverso do normal, em tom de chantagem ou amedrontamento, principalmente com estas pessoas " diferentes" que são, ou ficaram assim, pelo resto da vida ou de forma temporária, quero dizer com tudo isso que os deboches, ironias, abandonos, rejeiçōes, frieza, em qualquer teor, são fatos que colocam a perder um todo da vida de uma pessoa.

 Rejeição, exclusão, parte sim de um olhar, de um sentir, de um expressar, precisamos ficar atentos a isso...

sábado, 13 de março de 2010

Bullying nas escolas


Princesa japonesa Aiko volta à escola após suposto "bullying"



A princesa Aiko, filha única do herdeiro ao Trono do Japão, Naruhito, voltou nesta segunda-feira ao colégio acompanhada de sua mãe, a princesa Masako, após seis dias sem assistir às aulas por causa do suposto caso de 'bullying' por parte de um grupo de crianças. Aiko, de 9 anos, voltou nesta segunda à prestigiosa escola Gakushuin de Tóquio com a princesa Masako, que também a esperava no final das aulas da manhã, informou a "Agência da Casa Imperial" japonesa. A menina tinha se queixado de dor de estômago e ansiedade, o que fez com que não fosse à escola desde segunda-feira da semana passada. Aparentemente, um grupo de alunos zombou de vários colegas, entre eles a princesa Aiko, o que levou o Palácio Imperial a intervir e pedir medidas aos responsáveis do colégio informou a agência "Kyodo".



Um responsável da escola, no entanto, negou que a menina tivesse sofrido "diretamente" um caso de "bullying", acrescentou a agência. O caso representa a primeira ocasião na qual a Casa Imperial interfere em problemas na escola da princesa Aiko. A menina é a filha única de Naruhito e Masako, conhecida como "a princesa triste" por causa da depressão que sofre há anos. Muitos atribuem seu estado de depressão à rigidez do protocolo da Casa Imperial e às fortes pressões que sofreu para ter um filho homem, que perpetuasse a família real japonesa. Segundo a Lei de Sucessão vigente no Japão, somente um homem pode se transformar em imperador, o que impede que Aiko seja herdeira ao milenar Trono do Crisântemo. O seguinte na linha sucessória após Naruhito é o primo de Aiko, o príncipe Hisahito, de três anos.



A.M.O.M. : Com todo aparato que tem, até uma princesa pode sofrer com bullynig nas escolas, imaginem como pode ocorrer com outras categorias de exclusão?

As escolas devem orientar e estimular, nos alunos, práticas saudáveis de generosidade, solidariedade.

A escola deve manter uma aliança que facilite o convívio pai e escola.

Pequenos estímulos regados de empenho advindos de uma boa escola impedem transtornos, evitam conseqüências futuras graves.

A escola é o momento em que esta se formando o contexto de vida do indivíduo, muito importante se policiar todos os passos que lá ocorrem com os alunos.

Uma má formação escolar, seja no âmbito que for, moral, psicológico ou material, pode causar seqüelas irreparáveis na vida prática do indivíduo.

Por muitos anos não só L.M.R., bem como seu irmão mais velho sofreram de bullying na escola, por questões morais e psicológicas, que até hoje em seus íntimos carregam estas marcas. O irmão de L.M.R. tem marcado claramente em sua mente que em sua época escolar teve que enfrentar o bullying por muito tempo, enquanto freqüentou a perua escolar e a própria escola em que o L.M.R estudava juntamente com ele. O irmão de L.M.R. ouvia o tempo todo, colegas zombarem não só de L.M.R. como dele, os quais reiteravam o tempo todo que ele era irmão de um “bichinha”, que o irmão dele era um “viadinho”, e tanto ele como L.M.R. sofriam calados. Este bullynig duplo, tornou-se cicatrizes nos corações desses meninos.

É preciso acompanhar de perto os nossos filhos, precisamos estar conectados e alertas as queixa que eles nos trazem. A.M.O.M.



Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de vioência física ou psícológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully ou "valentão") ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma.



Caracterização do bullying no uso coloquial entre falantes de língua inglesa, bullying é frequentemente usado para descrever uma forma de assédio interpretado por alguém que está, de alguma forma, em condições de exercer o seu poder sobre alguém ou sobre um grupo mais fraco. O cientista sueco - que trabalhou por muito tempo em Bergen (Noruega) - Dan Olweus define bullying em três termos essenciais:
o comportamento é agressivo e negativo;
o comportamento é executado repetidamente;
o comportamento ocorre num relacionamento onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.


O bullying divide-se em duas categorias:
bullying direto;
bullying indireto, também conhecido como agressão social;
O bullying direto é a forma mais comum entre os agressores (bullies) masculinos. A agressão social ou bullying indireto é a forma mais comum em bullies do sexo feminino e crianças pequenas, e é caracterizada por forçar a vítima ao isolamento social. Este isolamento é obtido através de uma vasta variedade de técnicas, que incluem:
espalhar comentários;
recusa em se socializar com a vítima;
intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vítima;
criticar o modo de vestir ou outros aspectos socialmente significativos (incluindo a etnia da vítima, religião, incapacidades etc).


O bullying pode ocorrer em situações envolvendo a escola ou faculdade/universidade, o local de trabalho, os vizinhos e até mesmo países. Qualquer que seja a situação, a estrutura de poder é tipicamente evidente entre o agressor (bully) e a vítima. Para aqueles fora do relacionamento, parece que o poder do agressor depende somente da percepção da vítima, que parece estar a mais intimidada para oferecer alguma resistência. Todavia, a vítima geralmente tem motivos para temer o agressor, devido às ameaças ou concretizações de violência física/sexual, ou perda dos meios de subsistência. Os atos de bullying configuram atos ilícitos, não porque não estão autorizados pelo nosso ordenamento jurídico mas por desrespeitarem princípios constitucionais (ex: dignidade da pessoa humana) e o Código Civil, que determina que todo ato ilícito que cause dano a outrem gera o dever de indenizar. A responsabilidade pela prática de atos de bullying pode se enquadrar também no Código de Defesa do Consumidor, tendo em vista que as escolas prestam serviço aos consumidores e são responsáveis por atos de bullying que ocorram nesse contexto.


Características dos bullies
Pesquisas indicam que adolescentes agressores têm personalidades autoritárias, combinadas com uma forte necessidade de controlar ou dominar. Também tem sido sugerido que um deficiente em habilidades sociais e um ponto de vista preconceituoso sobre subordinados podem ser fatores de risco em particular. Estudos adicionais têm mostrado que enquanto inveja e ressentimento podem ser motivos para a prática do bullying, ao contrário da crença popular, há pouca evidência que sugira que os bullies sofram de qualquer déficit de auto-estima. Outros pesquisadores também identificaram a rapidez em se enraivecer e usar a força, em acréscimo a comportamentos agressivos, o ato de encarar as ações de outros como hostis, a preocupação com a auto-imagem e o empenho em ações obsessivas ou rígidas.É freqüentemente sugerido que os comportamentos agressivos têm sua origem na infância:
"Se o comportamento agressivo não é desafiado na infância, há o risco de que ele se torne habitual. Realmente, há evidência documental que indica que a prática do bullying durante a infância põe a criança em risco de comportamento criminoso e violência doméstica na idade adulta."


O bullying não envolve necessariamente criminalidade ou violência. Por exemplo, o bullying frequentemente funciona através de abuso psicológico ou verbal.


Tipos de bullying
Os bullies usam principalmente uma combinação de intimidação e humilhação para atormentar os outros. Abaixo, alguns exemplos das técnicas de bullying:
Insultar a vítima; acusar sistematicamente a vítima de não servir para nada.
Ataques físicos repetidos contra uma pessoa, seja contra o corpo dela ou propriedade.
Interferir com a propriedade pessoal de uma pessoa, livros ou material escolar, roupas, etc, danificando-os.
Espalhar rumores negativos sobre a vítima.
Depreciar a vítima sem qualquer motivo.
Fazer com que a vítima faça o que ela não quer, ameaçando a vítima para seguir as ordens.
Colocar a vítima em situação problemática com alguém (geralmente, uma autoridade), ou conseguir uma ação disciplinar contra a vítima, por algo que ela não cometeu ou que foi exagerado pelo bully.
Fazer comentários depreciativos sobre a família de uma pessoa (particularmente a mãe), sobre o local de moradia de alguém, aparência pessoal, orientação sexual, religião, etnia, nível de renda, nacionalidade ou qualquer outra inferioridade depreendida da qual o bully tenha tomado ciência.
Isolamento social da vítima.
Usar as tecnologias de informação para praticar o cyberbullying (criar páginas falsas sobre a vítima em sites de relacionamento, de publicação de fotos etc).
Chantagem.
Expressões ameaçadoras.
Grafitagem depreciativa.
Usar de sarcasmo evidente para se passar por amigo (para alguém de fora) enquanto assegura o controle e a posição em relação à vítima (isto ocorre com freqüência logo após o bully avaliar que a pessoa é uma "vítima perfeita").


Locais de bullying
O bullying pode acontecer em qualquer contexto no qual seres humanos interajam, tais como escolas, universidades, famílias, entre vizinhos e em locais de trabalho.


Escolas
Em escolas, o bullying geralmente ocorre em áreas com supervisão adulta mínima ou inexistente. Ele pode acontecer em praticamente qualquer parte, dentro ou fora do prédio da escola. Um caso extremo de bullying no pátio da escola foi o de um aluno do oitavo ano chamado Curtis Taylor, numa escola secundária em Iowa, Estados Unidos, que foi vítima de bullying contínuo por três anos, o que incluía alcunhas jocosas, ser espancado num vestiário, ter a camisa suja com leite achocolatado e os pertences vandalizados. Tudo isso acabou por o levar ao suicídio em 21 de Março de 1993. Alguns especialistas em "bullies" denominaram essa reação extrema de "bullycídio". Os que sofrem o bullying acabam desenvolvendo problemas psíquicos muitas vezes irreversíveis, que podem até levar a atitudes extremas como a que ocorreu com Jeremy Wade Delle. Jeremy se matou em 8 de janeiro de 1991, aos 15 anos de idade, numa escola na cidade de Dallas, Texas, EUA, dentro da sala de aula e em frente de 30 colegas e da professora de inglês, como forma de protesto pelos atos de perseguição que sofria constantemente. Esta história inspirou uma música (Jeremy) interpretada por Eddie Vedder, vocalista da banda estadunidense Pearl Jam. Nos anos 1990, os Estados Unidos viveram uma epidemia de tiroteios em escolas (dos quais o mais notório foi o massacre de Columbine). Muitas das crianças por trás destes tiroteios afirmavam serem vítimas de bullies e que somente haviam recorrido à violência depois que a administração da escola havia falhado repetidamente em intervir. Em muitos destes casos, as vítimas dos atiradores processaram tanto as famílias dos atiradores quanto as escolas. Como resultado destas tendências, escolas em muitos países passaram a desencorajar fortemente a prática do bullying, com programas projetados para promover a cooperação entre os estudantes, bem como o treinamento de alunos como moderadores para intervir na resolução de disputas, configurando uma forma de suporte por parte dos pares. Dado que a cobertura da mídia tem exposto o quão disseminada é a práctica do bullying, os júris estão agora mais inclinados do que nunca a simpatizar com as vítimas. Em anos recentes, muitas vítimas têm movido ações judiciais diretamente contra os agressores por "imposição intencional de sofrimento emocional", e incluindo suas escolas como acusadas, sob o princípio da responsabilidade conjunta. Vítimas norte-americanas e suas famílias têm outros recursos legais, tais como processar uma escola ou professor por falta de supervisão adequada, violação dos direitos civis, discriminação racial ou de gênero ou assédio moral. O bullying nas escolas (ou em outras instituições superiores de ensino) pode também assumir, por exemplo, a forma de avaliações abaixo da média, não retorno das tarefas escolares, segregação de estudantes competentes por professores incompetentes ou não-atuantes, para proteger a reputação de uma instituição de ensino. Isto é feito para que seus programas e códigos internos de conduta nunca sejam questionados, e que os pais (que geralmente pagam as taxas), sejam levados a acreditar que seus filhos são incapazes de lidar com o curso. Tipicamente, estas atitudes servem para criar a política não-escrita de "se você é estúpido, não merece ter respostas; se você não é bom, nós não te queremos aqui". Freqüentemente, tais instituições (geralmente em países asiáticos) operam um programa de franquia com instituições estrangeiras (quase sempre ocidentais), com uma cláusula de que os parceiros estrangeiros não opinam quanto a avaliação local ou códigos de conduta do pessoal no local contratante. Isto serve para criar uma classe de tolos educados, pessoas com títulos acadêmicos que não aprenderam a adaptar-se a situações e a criar soluções fazendo as perguntas certas e resolvendo problemas.


Alcunhas ou apelidos (dar nomes)
Normalmente, uma alcunha (apelido) é dada a alguém por um amigo, devido a uma característica única dele. Em alguns casos, a concessão é feita por uma característica que a vítima não quer que seja chamada, tal como uma verruga ou forma obscura em alguma parte do corpo. Em casos extremos, professores podem ajudar a popularizá-la, mas isto é geralmente percebido como inofensivo ou o golpe é sutil demais para ser reconhecido. Há uma discussão sobre se é pior que a vítima conheça ou não o nome pelo qual é chamada. Todavia, uma alcunha pode por vezes tornar-se tão embaraçosa que a vítima terá de se mudar (de escola, de residência ou de ambos).


Referências Artigo / Wikipédia

quarta-feira, 10 de março de 2010

Inclusão e Exclusão: utopia, retórica e prática


Cabe ressaltar que este “post” foi escrito a 04 mãos, se faz mencionar que por duas mãos de minha madrinha V.O.D., a qual acompanha o blog e a causa de perto, com o conhecimento e bagagem na área da educação e demais, ampliou juntamente com minhas mãos o tema tratado no artigo anterior e no que seguirá logo abaixo em “Discursos Legitimadores”. Agradeço abertamente e de todo coração a participação e colaboração nesta investidura.

A.M.O.M. delimita e aborda nesta postagem uma gama de problemas singularmente atuais e relevantes sobre a exclusão da escola aos 15 anos de idade. Sob o aspecto legal, há amparo para oferta de vagas para alunos no sistema de ensino do Estado de São Paulo que apresente pessoas que apresentam significativas diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais decorrentes de fatores inatos ou adquiridos, de caráter temporário ou permanente e que, em interação, dinâmica, fatores, sócio - ambientais, resultam em necessidades muito diferenciadas da maioria das pessoas.


Nesse contexto, cabe lembrar a legislação brasileira (Constituição de 1988, Estatuto da Criança e do Adolescente, Art. 54, alínea III promulgado em 1990, e Lei n.º 9.394/96 que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional) posiciona-se favoravelmente ao atendimento dos alunos como oportunidade de melhorar a desigualdade social e o desenvolvimento do cidadão.

Entende-se hoje, dentro de uma perspectiva de educação inclusiva, que os conhecimentos, habilidades e valores a serem alcançados pelos alunos com diferenças físicas devam ser integrados nas classes comuns onde as práticas educativas devem ser as mesmas propostos para os seus colegas, variando, todavia o apoio que cada aluno deve receber em função de suas peculiaridades e os critérios de aquisição que forem mais convenientes para serem considerados nos processos de avaliação educacional. Todos estes aspectos devem constar da proposta pedagógica de cada escola.

Os alunos que apresentarem condutas típicas serão avaliados em função de seus níveis de desenvolvimento geral e pessoal, considerados os conteúdos curriculares mínimos e, os níveis de competência social por eles alcançados.

Nesse processo, uma estrita relação escola-família é fundamental.

Escolas são locais onde a regra prega igualdade, educação, cultura, amparo, disciplina e união. A regra de ouro diz A.M.O.M., é tirar vantagens das diferenças e ampliar positivamente as experiências de todos os alunos, dentro do princípio de educar na diversidade.

Gimeno Sacristán( 2002)um estudioso contemporâneo, desenvolve uma análise sobre diversidades mediante quatro grupos de problemas inter relacionados :

a. ) de que diferença falamos ? (dilemas éticos e práticos implicados);
b. ) as diferenças entre indivíduos como eixo?
c. ) os discursos legitimadores; e
d. ) algumas práticas possíveis(estratégias e recursos para buscar soluções a distintos tipos de diferenças)

O autor fala de uma educação progressista para evitar que a diferenciação reproduza ou leve a desigualdade ou discriminação.

Nesse sentido, a riqueza da abordagem de A.M.O.M. ,assim como a amplitude e relevância dos problemas e aspectos vivenciados no campo de “diversidade” sobre práticas seletivas e excludentes tão características da escola brasileira, serve de interesse para pessoas que intervêm na educação: docentes, educadores, pais de família, investigadores, funcionários e legisladores.

UM PROBLEMA DO SÉCULO XXI

De que diferença, falamos?

Apesar de muito dolorida a exclusão de uma pessoa que amamos, entendi e ainda entendo as dificuldades que as escolas ditas tradicionais teriam e tem que passar para inclusão de um transexual, de uma pessoa com alguma diferença ou diversidade, porém, é possível, e é necessário que isso ocorra, para o bem do planeta, para o real desenvolvimento da vida, para a evolução humana e a aplicação real e eficaz de nossa Constituição Federal. Esses assuntos de diferenças, diversidades sejam quais forem, podem ser introduzidos de formas lúdicas desde a pré-escola, para quando lá na frente o (a) aluno (a) chegar estar capacitado (a) para a aceitação de um (a) colega que tenha alguma diferença, que traga uma carga diversa da sua, enfrentando de frente e com espírito limpo e pronto para colaborar para um desenvolvimento melhor, isso tudo refletiria num contexto global para uma vida mais ampla e inteligente, menos preconceituosa. (Trecho do artigo de A.M.O.M. – Exclusão da escola aos 15 anos de idade).

Os discursos legitimadores

Como findei meu artigo de ontem, contaria a quantas andam a situação escolar em 2010. Para tornar ainda mais claro o objetivo da construção do meu blog, passarei daqui para frente em meus “posts” a identificar meu filho como L.M.R., para ficar cristalino que a causa é para uma ação e reação ampla, não pessoal ou egoísta. Almejo que este espaço num universo tão grande, colabore com todos os tipos de exclusão como tenho dito, esclarecendo que não é um blog para reconhecimento pessoal de um heroísmo que não existe, e sim um lugar onde se possa encontrar apoio através da leitura, onde se encontre experiências, e algumas saídas e ou soluções para cada tipo de questão, pois com toda certeza a chave da evolução, da organização e do progresso é uma só, e se chama Boa Vontade. A.M.O.M.

Exclusão da escola aos 16 anos de idade

Na mesma esteira do outro post, após praticamente 06 meses sem estudar, iniciava a saga escolar de 2010 para reintegração de L.M.R. aos quadros do ensino. Teria que cursar novamente o primeiro ano do Ensino Médio, antigo primeiro colegial do segundo grau.

Posso dizer que tudo foi igual como narrado anteriormente, questões de dúvidas, angústias e demais. Como a ida para Cidade maior lá na Zona Sul de São Paulo, não foi bem sucedida, ao contrário, retornamos para nossa Cidade, a qual de uma forma ou de outra, estávamos mais protegidos e perto de pessoas que nos davam amparo ou ao menos estavam juntas conosco. Mas aquelas questões contadas no artigo passado, sobre a nossa Cidade por um anglo ser provinciana, iriam pesar para a escolha da nova escola, além das outras já debatidas. E isso ocorreu, até chegarmos num senso comum familiar para nos encorajarmos em procurar a escola que, havíamos por bem entendido como a melhor por várias razões. Claro que tive que tomar as rédeas, fui lá, reiniciei todo o processo, de telefonar, marcar com a direção pedagógica e tudo mais. Meu entusiasmo foi grande pela filosofia do método que é usado na escola escolhida:

“...se propõe a formar indivíduos conscientes, capazes de, utilizando-se plenamente de sua capacidade intelectual e de liderança, dimensionar e redimensionar seus conhecimentos e contribuir para o bem comum, através de sua participação critica, criativa e ética no sentido da procura dinâmica de construção e reconstrução de si mesmos, do meio e das relações homem-meio, orientados pelos princípios do respeito humano...”.

Diante deste embasamento filosófico e acreditando que L.M.R. é um individuo capaz, acima de qualquer suspeita, não pensei que mais uma vez seria excluído. Mas o Lulu Santos tem razão: ... “assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade...”, claro que sem generalizar, mas neste aspecto ainda as tartarugas estão à frente.

Porém, de sobremesa, recebi, além de todas as alegações idênticas dos motivos pelos quais a escola não o aceitaria a inclusão de L.M.R., um recado pelo pai de L.M.R. numa das idas dele para entrevista também lá na escola almejada, para que eu me tratasse com um psicólogo, pois a coordenação da escola entendia que a família, logo eu, que lido diretamente com o assunto, estávamos sendo permissivos diante da questão, e por isso L.M.R., estar assumido conforme estava. Ainda sugeriram um supletivo para L.M.R., que no caso em tela seria melhor.

Edith Modesto, cita em seu livro (Mãe sempre sabe?), num capítulo muito interessante que trata sobre a homossexualidade ser uma opção ou uma escolha:

... “As pessoas não escolhem se querem ser gays ou heterossexuais. Quem iria querer viver como minoria em um país ainda tão preconceituoso como o nosso? E essa minha hipótese foi confirmada enfaticamente por dezenas e dezenas de depoimentos de homens e mulheres homossexuais de todas as idades com quem conversei...”. (Em seu livro tem estes depoimentos).

Sob a ótica do autor do livro Transexuais perguntas e repostas, Gerald Ramsey avalizada pela psicóloga, Marlene Inácio (psicóloga clínica responsável pelo atendimento a transexuais no Hospital das Clínicas – FMSP):

... “transexualidade – ao contrário de um simples distúrbio de identidade de gênero – não é um fenômeno passageiro. Poderia antes ser descrito como “imutável na maioria das instâncias”. (É também extremamente raro que psicoses se apresentem como transexualidade aparente). O processo transexual – a jornada que começa com uma terapia e vestir-se como o outro sexo, passa por tratamento hormonal e termina em cirurgia – não é um capricho passageiro. É a busca consistente de integração física, emocional, social, espiritual e sexual, conquistada a enormes penas pessoais”... .(Neste livro também seguem vários exemplos).

Questão de escolha ou opção? Inclusão para todos ou não? As premissas para as exclusões deveriam ser as mesmas para todos os tipos de diferenças, de diversidades?

L.M.R. autodidata em inglês, cada vez mais fechado em seu escritorinho de frente para um computador, hoje seu único e mais próximo companheiro de integração ao universo, e também em frente ao seu vídeo game que por um lado é bem interativo, vinha dando mostras em suas conversas on line de sua extrema capacidade e desembaraço para línguas, assim, sem perder tempo, procurei uma escola conceituada de inglês em nossa Cidade, o que já estava programado ele indo ou não cursar o Ensino Médio, levando-o para um teste o qual iria mensurar seu conhecimento e para meu orgulho, o resultado foi positivo, diante da acolhida desta escola, que frise - se, desde o boleto da mensalidade até o tratamento para com ele, com normalidade e respeito o tratam por menina (com gestos e posturas carinhosas), sem constrangimentos, cientes sim da questão (conversamos bem sobre tudo no primeiro dia), e desde então quando lá pisamos da recepcionista até a direção pedagógica, nos sentimos bem, comuns e normais, integrados completamente no contexto e filosofia da escola, tanto filho como mãe: O teste revelou que, L.M.R. estava apto a cursar, Upper Intermediate, fez o Ul 1- em um mês no curso de férias – janeiro de 2010 - (com aprovação final de 93.00/100.00), e agora esta cursando o UI 2- e indo muito bem. Está procurando um curso bacana de Frances e pensando em enveredar para carreira de línguas focando o ensino para executivos (as), empresas e demais, tem recebido nosso total apoio para este investimento.

... “dentro de uma perspectiva de educação inclusiva, que os conhecimentos, habilidades e valores a serem alcançados pelos alunos com diferenças físicas devam ser integrados nas classes comuns onde as práticas educativas devem ser as mesmas propostos para os seus colegas, variando, todavia o apoio que cada aluno deve receber em função de suas peculiaridades e os critérios de aquisição que forem mais convenientes para serem considerados nos processos de avaliação educacional. Todos estes aspectos devem constar da proposta pedagógica de cada escola.

Os alunos que apresentarem condutas típicas serão avaliados em função de seus níveis de desenvolvimento geral e pessoal, considerados os conteúdos curriculares mínimos e, os níveis de competência social por eles alcançados ”... . Vejo este embasamento como um grande alicerce para as mudanças urgentemente começarem ocorrer em nossas escolas.

Acordem por favor, educadores, pais, filhos, alunos! Estamos em 2010, num momento em que estamos sendo testados pela força de Deus!

A.M.O.M.

terça-feira, 9 de março de 2010

Exclusão da escola aos 15 anos de idade


Escolas são locais onde a regra prega igualdade, educação, cultura, amparo, disciplina e união. Por dois anos consecutivos 2009/2010, escolas, REJEITAM e EXCLUEM alunos de fazer parte dos bancos das mesmas, quando nossa Constituição prevê direitos iguais a todos.

Será que ainda faltam vagas no ensino garantidas para pessoas com alguma diferença, poderem estudar, serem incluídas na sociedade como devem ser? Será que garantir vagas para uma pessoa diferente ou com alguma diversidade não a deixaria ainda mais estigmatizada e excluída? Vejo esta questão escolar em total desencontro, em se tratando do século XXI em 2010.

É revoltante e desleal, uma vez que se divulga por ai que as crianças devem estar nas escolas, que nossos filhos têm que ser inclusos, em atividades educacionais e culturais, e, quando se procura não perder este fio, esta esteira, se é REJEITADO, EXCLUÍDO, com fundamentações superficiais, sem embasamento concreto, apenas com o termômetro do “achometro”.

A melhor fase escolar de meu filho foi dos 04 aos 14 anos, digo na questão inclusão na escola, pois cursou do maternal ao nono ano, praticamente num Colégio de nossa Cidade. Mudou uma vez de escola neste período, mas logo retornou, e só ocorreu porque o irmão mais velho teve que mudar de escola para o segundo grau que naquela não tinha, porém o meu filho mais novo (transexual) não se adaptou voltando para esta escola que mencionei acima, onde ficou até final de 2008, concluindo o nono ano.

Nesta fase de maternal até o nono ano, houve várias questões escolar, como, adaptação na série, dificuldades em algumas matérias que meu filho não apreciava e outras que amava ainda, a convivência de seus colegas com seus trejeitos efeminados desde pequenininho e o estigma de ser chamado de “bichinha”, dentre outras. Porém, todas as questões que apareceram foram solucionadas com diálogo, acompanhamento da direção pedagógica da escola, psicólogo, psiquiatra, meu e do pai quando solicitado, e do irmão mais velho enquanto estudava na mesma escola do mais novo. Foi uma fase sofrida, para nós pais e para escola também, todos acompanharam de perto a transformação de meu filho, as tristezas, as revoltas, os insucessos, os preconceitos, as chacotas, as rejeições, mas também os sucessos, as alegrias, as vitórias e a batalha para se chegar à conclusão do primeiro grau. Sempre foi respeitado, amado pelos colegas, professores e toda direção pedagógica. Fez boas amizades conheceu bons lugares, festas, casas, e sempre foi bem recebido, mesmo no segundo semestre de 2007 quando passou assumir-se como mulher, tendo colocado seu mega hair, e passara a usar roupas bem femininas, sua aparência não o diminuiu perante aos amigos que de verdade fez nesta etapa escolar.

Em 2009 foi preciso procurar outra escola para a continuação dos estudos de meu filho, e nem imaginava que a saga estava por vir. Início de 2009, conflitos, preocupações, medo pela rejeição de meu filho, era o que me rondava, para escolha da nova escola onde iniciaria o primeiro ano, do segundo grau, afinal estudou na mesma escola por 10 anos consecutivos. Não só eu como meu filho estávamos apreensivos e perdidos com a nova escolha. Tampouco imaginávamos que ocorreriam tantas dificuldades.

A Cidade em que moramos eu e meu filho é grande, evoluída, por um prisma (industrial, comercial, etc e tals), por outro lado provinciana, e apesar de termos escolas renomadas e conceituadas, passávamos a conviver com várias questões, uma delas, a aparência de meu filho, segundo entendimento de parte da família e das escolas em si, poderia chocar os demais alunos e pais, o que para nós era até compreensível, apesar de dolorido. Outra questão de estudar e mantê-lo numa cidade “provinciana” com o novo aspecto feminino assumido, é que nossos nomes são conhecidos na Cidade, e mantemos amizades com vários proprietários das escolas daqui o que ao invés de um facilitador se tornaria uma situação constrangedora, onde a amizade poderia impor atitude tanto do lado da escola escolhida como do nosso, embaraçosa, e nada a vontade, para se incluir ou excluir, para aceitar ou rejeitar a condição. Diante destes enfoques, resolvemos mudar para a Zona Sul de São Paulo acreditando que seria uma boa pedida, pois estaríamos indo para uma Cidade maior, com mais diversidades, diferenças de várias categorias, onde não éramos conhecidos, e se encontravam grandes escolas e possibilidades maiores para um desenvolvimento sócio-educacional.

Pela primeira vez na vida escolar de meu filho, deixei para definir a escola que estudara em meados de janeiro do ano passado, época que ele sempre já estava matriculado e com tudo resolvido nos outros anos. Todo o atraso pela escolha se deu por conta de 07 escolas que procurei na Zona Sul de São Paulo e rejeitaram a inclusão de meu filho. Escolas particulares, renomadas, bem situadas, com mensalidades caras. As fundamentações pela exclusão foram às mesmas, ditas de formas diferentes com embasamento arenoso. Optavam por não aceitarem a inclusão alegando que poderia ser chocante para os outros alunos, para seus pais, que poderiam perder matrículas, alunos e sofrer desconfortos que não estavam preparadas para lidar, eram tradicionalistas, com professores antigos, que não aceitariam a questão em foco, um menino com aspecto e trejeitos de menina por estar fora do contexto do que se considera normal para um jovem de 15 anos numa sala de 01 ano do Ensino Médio, que até tinham homossexuais normais matriculados, que se vestiam comuns, seus aspectos dos seus próprios gêneros, e muitos nem assumidos eram, apesar de seus trejeitos e do que se falava nos bastidores.

Apesar de muito dolorida a exclusão de uma pessoa que amamos, entendi e ainda entendo as dificuldades que as escolas ditas tradicionais teriam e tem que passar para inclusão de um transexual, de uma pessoa com alguma diferença ou diversidade, porém, é possível, e é necessário que isso ocorra, para o bem do planeta, para o real desenvolvimento da vida, para a evolução humana e a aplicação real e eficaz de nossa Constituição Federal. Esses assuntos de diferenças, diversidades sejam quais forem, podem ser introduzidos de formas lúdicas desde a pré-escola, para quando lá na frente o (a) aluno (a) chegar estar capacitado (a) para a aceitação de um (a) colega que tenha alguma diferença, que traga uma carga diversa da sua, enfrentando de frente e com espírito limpo e pronto para colaborar para um desenvolvimento melhor, isso tudo refletiria num contexto global para uma vida mais ampla e inteligente, menos preconceituosa.

Numa destas 07 escolas que tentei a vaga, na última, levei meu filho, até porque não o levei nas outras porque queria poupá-lo de tanto dissabor, mas era importante que ele acompanhasse comigo meu empenho e como estava sendo recebida a questão dele, que era cruel o que estava ocorrendo, mas era mais uma barreira que deveríamos enfrentar juntos, e assim o fiz. Nesta última tentativa, fomos na tal escola, mais uma, na Zona Sul de São Paulo, renomada, cara, etc e tals. Ficamos na recepção quase uma hora para sermos atendidos pela direção pedagógica, quando nos chamou uma senhora e de pronto pelo seu olhar demonstrou surpresa, preconceito, nos deixou constrangidos, na mesma esteira das outras, apresentei minhas razões, contei da questão de meu filho e da necessidade da acolhida e continuidade em seus estudos. A pedagoga, disse que meu filho infelizmente não condizia com a filosofia da escola, pois era tradicionalista e tinha professores antigos, e como não teve ótimas notas no nono ano, de acordo com que falávamos, seria difícil se enquadrar com o conteúdo da escola, mas que ela iria consultar os demais colegas e nos telefonaria para uma resposta. Ela ao menos nos ligou, o que a maioria das outras nem fez, já diziam o não na hora, e disse que a causa era nobre, difícil para mim, mas que não poderia receber a matricula. Quando saímos daquela escola, eu me lembro bem, meu filho disse chorando dentro do carro que, seria melhor ele cortar o cabelo, voltar usar roupas masculinas, e mesmo que ele fosse infeliz seria aceito, e daria menos trabalho para mim e seu pai. Eu o respondi indagando que se ele fizesse aquilo seria feliz? A resposta dele foi não, que acabaria com sua vida. Assim disse a ele que acreditasse que eu estaria ao seu lado em todas as fases e que era apenas mais uma.

Vale dizer, que sei dos direitos que nos assistem a um aluno excluído da escola por motivos “torpes”, sou professora especializada em pré - escola, advogada, mas acima de qualquer conhecimento, Sou Filha de Deus e Mãe de Meus Filhos. A questão em tela, já traz um grau de estigma grande, que se tivesse que colocar meu filho na escola por uma Determinação Judicial só pioraria ainda mais o aspecto de integração sócio educativa dele, entraria com mais um peso de ter sido imposto e não incluso. Todas essas dificuldades em se tratando de um jovem querido, inteligente, educado, bonito, com princípios, limpo, com boa aparência, digno e disposto ser alguém na vida, na sociedade, que deseja contribuir pela evolução do mundo e que clama por aceitação, por compreensão e amor do próximo como ele é. Ressalte – se, autodidata na língua inglesa. É imensurável nosso sofrimento, digo, diretamente o de meu filho, o meu e de minha mãe que é pedagoga aposentada e renomada em nossa Cidade, que ama meu filho com toda sua ternura de avó e encontra-se de mãos atadas diante de questão tão delicada de ser tratada.

Com essas andanças se passava do dia 20/01/2009 e nada de matricula ainda, só negativas. Resolvi recorrer à internet para pesquisar outras opções de escolas em São Paulo, cursos técnicos, escolas de inclusão e assim por diante. Os cursos técnicos que chamavam a atenção, como moda, administração, economia, empunham que o aluno estivesse cursando o ensino médio para poder matricular-se, e os que tinham reconhecimento de ensino médio eram os de eletrônica, informática, dentre outros que não iam de encontro com a vocação de meu filho.

Chamou a atenção diante destas buscas uma escola de inclusão que tinha como lema o bom convívio com as diferenças. Telefonei antes e marquei horário para conversar com a direção pedagógica, fomos minha mãe e eu bem recebidas pelas pedagogas, pelas diretoras, e muito bem tratadas, todas mostraram - se dispostas com a causa, e vestiram a camisa de pronto, apesar de deixar claro que era o primeiro caso de transexualismo naquela escola. Falamos sobre vários pontos, e chegamos nos denominadores comuns, ficando claras algumas questões, por exemplo, ir vestido de menina de forma discreta, como uma menina de sua idade, o que já ocorria com meu filho normalmente. Também foi falado sobre o uso do banheiro, que se possível usasse o das meninas, pois na outra escola, quando passou a assumir-se como menina (segundo semestre de 2007) foi proibido de usar o banheiro das meninas pela direção da escola não pelas alunas meninas, muito pelo contrário, e de usar o banheiro dos meninos pelos próprios alunos meninos, e a moral disso tudo que, meu filho chegava, em casa desesperado para ir ao banheiro, tendo por conseqüência infecção urinária por reter por algumas horas o xixi. Nesta questão esta escola de inclusão disse que adequaria a situação, naquele momento, pois banheiros lá não faltavam. O valor do custo mensal nos deixou assustadas, era alto, acima da média, mas aparentemente de acordo com que estava sendo proposto, estudo com prática, com vivencias de campo, uso de materiais especiais para confecções de objetos, aulas em atelier de arte, e toda a atenção para a dedicação para um aluno diferente a principio numa sala com várias diferenças e diversidades e com número menor de alunos, como se fosse um atendimento vip. Não era o que desejávamos, e nem o que entendíamos como melhor, mas era o que tínhamos para o momento. Tratamos de um projeto que esta escola tinha para a inclusão de pessoas com alguma diferença ou diversidade, que tinha um nome X e visava o lado profissional e a escolha para um futuro do aluno diferente, e que diferia da grade curricular comum, mas que seria como um colegial normal, que formaria alunos aptos para prestar vestibular, com salas de estudos diferenciados, que inclusive nesta turma já tinha um menino que se aparentava homossexual. Ainda nos foi dito tudo seria assistido de perto, no que se refere a progresso do aluno e assim por diante e que esta inclusão seria num contexto geral da escola, e que o melhor seria optarmos por este projeto X, porque se enquadraria a priori, para as adaptações e aceitação de meu filho para com a escola, alunos, pais e vice versa. Reiterando, nesta escola tinha a grade curricular com conteúdo programático comum e este outro projeto X, que também tinham as matérias do colegial, porém tratadas de formas diferentes, com mais vivência e que visavam um futuro de inclusão profissional para o aluno que trazia algum tipo de diversidade. Optamos então, por este projeto X, até mesmo para uma proteção, e para se entender o que estava por vir.

Cabe ressaltar que, juntamente comigo, meu filho, minha mãe, a querida amiga, militante, Edith Modesto (GPH) sempre vestiu nossa camisa, e este tempo todo ficou nos acompanhando e nos orientando, sofrendo junto conosco e procurando nos ajudar a nortear a questão tão importante de um jovem. Não só nesta escola de inclusão que acabamos por optar no início do ano passado, eu levei comigo todo material que venho juntando de acordo com os anos, que servem de respaldo para dar diretriz sobre o transexualismo, sempre estive disposta a dividir e emprestar este material, com esta a escola o fiz, como em outras por quais eu passei, mas sei lá, dá a impressão que os mesmos nem foram abertos e lidos com afinco.

Enfim, meu filho começou a estudar em fevereiro de 2009 nesta escola de inclusão, no tal projeto X, diferenciado, mas abrangente, segundo as informações, ficando lá até julho de 2009, cursando o primeiro semestre. Foi tratado com carinho, respeito e parecia ter se enquadrado. Após primeiros dois meses de estudo, no que dizia respeito a conteúdo programático, sentia que algo não estava correndo normal, não vinha lição de casa nunca, fichário vazio com pouquíssimas anotações, e as respostas de meu filho sobre as matérias eram sempre as mesmas, que estava legal a classe, que sentia ser o aluno que se destacava mais, sentia que os colegas estavam muito atrasados quanto às matérias, que os outros alunos do colegial comum que tinham grade curricular normal sempre perguntavam para ele por que não estava cursando a classe deles e sim o projeto X. Ele dizia que o projeto X, era melhor para ele, porque visava à profissionalização, e era isso que queria sair do colegial pronto para trabalhar. Meu filho fez amizades com os alunos dos dois lados da escola, com os do projeto X e com os da grade curricular comum. Esta história se repetiu por algum tempo ainda, nada de lições, feedbacks ausentes quanto a aprendizado, até aparecer o desinteresse por ir à escola. Chegou faltar bastante, pois parecia não se enquadrar com a realidade, estava desmotivado. Por outro lado, quando estava na escola, ou sabia que teria uma aula bacana, interessante curtia as vivencias que faziam, mas sem progredir muito no aprendizado e no que se esperava dentro daqueles meses, se aproximavam as férias de julho de 2009. Antes das férias conversei francamente com meu filho sobre o que estava passando na escola e sobre o desanimo que estava pairando, quando me respondeu que muitas vezes ele quem dava aula na sala e que sentira que todos de lá tinham dificuldades graves de aprendizado, limites além do que seria normal para uma pessoa de primeiro colegial e que as matérias estavam a quem do esperado. Que ele tinha ensinado umas pessoas a contar com seus próprios tênis, que teve que tirar dos pés e ensinar os colegas contar para fazer umas contas de matemática. O mais bonito e puro disse tudo, é que meu filho fazia tudo isso com amor, com compaixão, sem preconceito, aceitando com brandura tudo aquilo que estava vivendo, desempenhando com carinho o que lhe aparecia. Apesar de minha preocupação por estar acompanhando a falta de progresso no que diz respeito ao aprendizado, nutria esperança de estar sendo boa a experiência que estava passando e que através das tais aulas de vivências práticas em campo se alcançaria a conclusão ao menos daquele ano. Um dia meu filho chegou bem triste em casa e disse que estava sentindo-se além de transexual, deficiente, atrasado, e ficando para traz, e que ainda estava usando o banheiro de deficientes físicos por determinação da direção. Que sabia que era uma questão complicada, mas não entendia, porque uma vez que sentia- se e agia como menina, por que ter que usar um banheiro para os cadeirantes? Disse ainda que não, teria problema em usar de vez em quando o tal banheiro para deficientes físicos, mas não entendia ter que usar por obrigação todos os dias. Sentia-se uma pessoa sem identidade, sem gênero, o que ele não era.

Consultei a Edith Modesto e contei a ela tudo que vínhamos passando, e ela ficou decepcionada e triste e me alertou para algumas questões que eu na verdade não estava querendo encarar como possíveis. A Edith se propôs ir comigo lá na escola para vermos de perto o que estava se passando, com o intuito que tínhamos de ajudar a escola se adequar quanto à questão do meu filho e vice versa. Edith Modesto e eu fomos bem recebidas na escola, mas a reunião e o nosso propósito lá foi uma lástima. Senti até vergonha da Edith, do desinteresse e falta de conhecimento das pedagogas para com a questão em foco, e a acomodação perante a uma mudança naquilo tudo, como a capacitação para os professores e alunos que a Edith estava se propondo a fazer, para uma aceitação positiva dos alunos, professores e pais, pois a questão de meu filho não era déficit de aprendizado, deficiência mental ou física, como estava sendo tratada, Graças A Deus, a questão de meu filho era de apoio, de inclusão perante aos outros por ser uma pessoa transexual. Percebemos então que havíamos optado pelo projeto errado que o X era muito diferente do que buscávamos que talvez estivesse sofrendo mais exclusão que inclusão numa escola que carregava tal bandeira. Não tem como culpar a escola por isso, houve empenho, porém despreparo confusão quanto a nossa busca de inclusão. Esqueceu-se de que o tema em foco não deve e nem poderia ser tratado como uma deficiência, longe de nós algum preconceito, porque se tivesse surtido efeito positivo de inclusão para meu filho e evolução normal e esperada quanto ao ensino e conteúdo programático da série em que foi matriculado, mesmo que fosse na classe de outros diferentes ou deficientes com inúmeras outras diversidades, ele continuaria com toda certeza e bem enquadrado, o resumo da ópera é que confundiram transexualismo com deficiência de aprendizado, de raciocínio, e até mental. Importante se falar que, este convívio de meu filho com os cadeirantes, com as pessoas que tem limite para aprendizado, só o fez ainda melhor, a questão não era ficar na sala das pessoas com alguma outra diversidade, dificuldade, e sim o prejuízo do aprendizado, o atraso para com as matérias necessárias para uma formação comum e regular de um colegial. E a forma pela qual estava sendo visto pela escola e pelos colegas e acima de tudo o que estava se formando na cabecinha dele, que além de transexual era deficiente.

Por fim, e em comum acordo com a escola apoio, da Edith e do GPH, explicamos e pontuamos bem os motivos, pedimos a transferência da escola. Até cogitamos a possibilidade de meu filho migrar do projeto X para a classe de ensino com conteúdo programático regular, mas não daria mais tempo para um acompanhamento com a classe montada e que estava muito além do que ele havia apreendido até junho de 2009.

Neste espaço das férias, a Edith Modesto correu atrás incansavelmente para ajudar-nos em nossa causa, e encontrou uma escola estadual em São Paulo, a qual foi lá capacitar os professores e os alunos, foi bem recebida e entendida, abrindo as portas para um recebimento de meu filho no segundo semestre de 2009 da forma mais tranqüila, adequada e maravilhosa, como foi. Não dava para acreditar que uma escola do estado agia tão capaz e com sabedoria quanto a questão em voga. Meu filho freqüentou alguns dias esta escola e estava amando, cheio de planos, quando sorrateiramente foi tomado por uma depressão inexplicável e triste, por ter se apaixonado por um amor não correspondido, após ter contado a verdade para o menino que ele era um menino também com alma de menina e que era um transexual. Sofreu com tudo isso e veio por repetir este ano letivo. Ficou reprovado em seu primeiro ano do ensino médio e sem estudar até o final de 2009. Continuo a contar quantas andam a situação escolar de meu filho, em 2010, na próxima postagem.


A.M.O.M.

sábado, 6 de março de 2010

Peculiaridades dos primeiros contatos com a questão quando tudo começou


Reiterando minha iniciativa deste blog, pretendo com ele propagar todos os tipos de categorias que englobem a rejeição, a exclusão, o preconceito. Claro que a tendência de meus artigos tem base em minha experiência, para o assunto que enfrento hoje, questões de homossexualidade que passou após adequação da situação de meu filho, para transexualismo. O que não impedirá meus leitores, visitantes, de postarem todos os tipos de comentários referentes ao assunto em tela e demais que sentirem-se a vontade em escrever, comentar, sugerir.

Lembro-me nitidamente com riqueza de detalhes quando tudo começou. Achava estranho, engraçado, peculiar, os trejeitos que iam aparecendo em meu filho, isso aos 03 anos de idade já eram evidenciados. Claro que a preocupação sempre presente esteve em tudo isso, e a observação acima de tudo, pois, ele tinha como preferência os brinquedos, os desenhos, os filmes, de meninas.

Quando assistíamos o Rei Leão, ele queria ser a Nala, nos joguinhos ele sempre queria ser a figura feminina. Amava o filme da Mulan, dentre outros que tinham figuras femininas fortes. Meu filho desde pequeno amava roupas longas, floridas, cor- de- rosa, chegava colocar um vestido rosa-pink com flores brancas que eu tinha constantemente, na frente do espelho bailava e se admirava com tal “fantasia” todos os dias, ele achava incrível fazer aquilo. Isso tudo, passou a ser grande perrengue familiar, pois ele ficou obcecado por aquele vestido, vindo o pai dele que na época morava conosco, picar e jogar no lixo o mesmo.

Não só o pai como eu ficávamos perdidos com tal situação, e não queríamos reprimir, ferir nosso filho, mas já passava para um campo ilimitado as preferências e desejos de nosso filho que ainda era muito pequeno e dava mostras claras que amaria ser uma menina, o que nos assustava e nos deixava apreensivos quanto à questão ainda numa idade tão precoce, achávamos que era impossível isso ocorrer, ainda mais que nosso filho mais velho é heterossexual e tinha preferências tão diferentes das do irmão, sendo que apenas num espaço de 05 anos de diferença de um filho para o outro, tínhamos vivido outras experiências com este nosso filho mais velho, era tudo muito diferente com o mais novo, sabíamos que cada um é cada um, mas o que se apresentava para nós era situação que transcendia o que para nós se considerava comum e normal, algo Trans (que vai além) de verdade. Mal sabíamos nós que este algo trans tomasse o curso que tomou.

Posso dizer que dos 03 aos 13 anos de idade, apesar de meu filho ter sido e ser muito alegre, artístico, amar dançar, cantar, ser vaidoso, ser diferente, para mim, ele estava dando mostras de homossexual devido seus trejeitos efeminados, seus gostos, e tendências que vinham o acompanhando desde pequeno e se tornando mais claras a cada dia.

Até esta idade ele ainda se vestia como menino, apesar de não gostar, ele dava seu jeito para ser diferente de um menino de sua idade, por exemplo, na escola amarrava o blusão na cintura como se parecesse uma saia por cima da calça do uniforme, usava bandana e toca no cabelo todos os dias, porque dizia que não gostava de seus chachinhos castanhos (eram lindos), e assim por diante, os tênis dele tinham que ser coloridos, transados, e bem unissex, daí meu eterno amor pelo tênis All Star, além de ter curtido muito em minha juventude, colaborou muito para esta fase de meu filho, eram tênis lindos, transados e se enquadravam para a metamorfose que estava acontecendo, não o deixava tão masculinizado assim como outros que existiam na época que ele detestava.

Aos 08 anos de idade eu estava lendo uma revistinha para meu filho no banheiro enquanto ele fazia coco e ele me interrompeu e me disse que estava apaixonado pelo L. da escola dele. Eu respondi que estes sentimentos poderiam acontecer com todos da idade dele, pois ainda estavam em formação, e que era possível ser confuso ainda todo este tipo de admiração. Já era divorciada nesta época, resolvi ir à escola conversar, chegando ao consenso com a diretora de que entendia ser melhor eu trocar de período meu filho para que ele desencontrasse do período em que o tal L. paixão dele na época estudava, e assim o fiz, achando que era a melhor atitude. Disse ao meu filho que ele passaria para o período da tarde para ele dormir mais um pouquinho e se alimentar melhor, e assim aconteceu. (Hoje damos boas risadas disso tudo, mas...). Aos 13 anos meu filho disse sentado no chão da cozinha para mim chorando muito que não queria ser como ele era e nem queria sentir o que ele sentia. Que tudo que acontecia com ele era mais forte que o desejo dele combater, que dominava a cabecinha dele, o coraçãozinho dele e que ele achava que gostava de meninos. Dentre vários dias tristes que vivi com meu filho, creio que este foi um dos considerados piores. Como mãe, o consolei e disse a ele que o amava e se Deus permitira tudo aquilo é porque tínhamos uma missão a cumprir. Disse ainda que ele contasse comigo e fosse um filho bom que eu daria as mãos para ele para sempre e caminharíamos juntos pela estrada de pedregulhos que começava aparecer.

Peculiaridade: O sufixo ismo tem sentindo de qualidade, estado: patriotismo, idiotismo; estado doentio, doença, inflamação: reumatismo, daltonismo; ciência, técnica, sistema doutrinário: cristianismo, romantismo, ciclismo, automobilismo. Homossexualismo, que tem sentido de doença, desde que a sexualidade homossexual foi tirada do Código Internacional de Doenças (CID), é errado o emprego dessa palavra, já que seu significado é o de doentio. Assim a palavra homossexualismo foi substituída por homossexualidade, que tem no sufixo dade tem o sentido de qualidade, de estado.

Existem controvérsias que o ismo de qualidade, estado, seja aplicado a homossexualismo. Porém partindo do princípio que a heterossexualidade é a qualidade da condição sexual heterossexual, a homossexualidade também é a quantidade de condição sexual do homossexual”.
Sobre o transexualismo, desde última informação que obtive ainda caminha para ser retirado do CID, por isso ainda é tratado com sufixo ismo apesar de se ouvir e vir por ai à palavra transexualidade, o que particularmente, entendo correto. Adquiri as informações acima, através dos livros da Edith Modesto e com os profissionais do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo que acompanham o caso de meu filho.

A.M.O.M.

Descobrindo as diferenças para iniciar a orientação e apoio ao meu filho


Vivia querendo entender qual a diferença entre um transexual e um travesti? Após minhas buscas incansáveis em descobrir se haviam diferenças, com o apoio constante da amiga e parceira Edith Modesto do GPH em seus livros, encontrei-as, e passei a entender que são diferentes estas questões de gêneros, passei saber que além do transexual, do travesti existe o transgênero.

Para ser muito sincera, apesar de me sentir melhor quanto ao conhecimento que havia descoberto sobre as diferenças enfocadas, passava a ter “certeza” que meu filho não era homossexual, um gay comum se assim posso falar, e que as dificuldades maiores ainda estavam por vir.

Para piorar, quando se tem conhecimento de algo é bom, mas ao mesmo tempo se sofre dobrado, pois é preciso enfrentar a situação porque se tem a ciência de que é algo mais forte que você, que seu filho, que não é uma escolha, uma opção como a maioria entende ser e julga.

Neste momento de busca para conhecer o que se apresenta na sua frente, cabe uma opção quanto à questão, você aceita o desafio e ganha com isso seu filho e se torna aliada na batalha de ambos, ou não aceita e perde seu filho para vida e sua paz. Optei por ser aliada de meu filho. Com todo o sofrimento, o pavor do desconhecido, etc e tals.

Dói muito você ouvir os comentários que são comuns as pessoas que desconhecem e ou não passam a experiência que vivo, pois a sociedade é massacrante nestas questões e se ouve sempre assim, de pessoas despreparadas, mesmo de algumas mães de homossexuais comuns, que elas agradecem que seus filhos nem pareçam gays, e os pais então nem se fale, agradecem pelos seus filhos gays serem iguais aos heterossexuais no que diz respeito à apresentação, por terem as mesmas aparências que seus irmãos heterossexuais muitas vezes, e ainda afirmam que se eles fossem uns “bichinhas” como é dito no próprio meio, algumas destas mães e ou pais e estas pessoas sem preparo dizem que o amariam igualmente, mas que se preocupariam, porém se fossem travestis Deus que as livrassem!

As pessoas se esquecem que uma vez vivos na terra sujeitos estamos a quaisquer que sejam os enfrentamentos e não estamos livres de nada, nem nós e ninguém de todas as gerações de nossas árvores genealógicas.

Quero plantar aqui uma sementinha, em prol de meu filho, para que reflita para todos os transexuais, do planeta que são desrespeitados, e para todos os excluídos em qualquer aspecto e ou categoria, porque cada um é cada um, todos são o que são com suas diferenças sim, mas com sangue na veia, com alma, com coração pulsando, cada um com suas heranças, suas condições, suas questões e todos são cidadãos sob mando da mesma Constituição Espiritual e Moral.

Gostei de saber sobre as diferenças e estou apreendendo com elas e aplicando para saber distinguir todas as metamorfoses que estão ocorrendo aqui em casa com minha vivência, e desejo dividir com os meus visitantes do blog, acho que sempre é bom propagarmos os esclarecimentos de questões tão enrustidas como as que aqui tratamos que geram cada vez mais exclusão de pessoas, as desgarrando de suas identidades verdadeiras, as prejudicando muito para se integrarem e sentirem-se seguras e felizes.

Segundo um dos livros da Edith Modesto que li, de acordo com as explicações do psicólogo Klecius Borges, que também orienta as mães do GPH, acredita-se que o “gênero masculino e o feminino carreguem elementos profundos, tanto biológicos como psíquicos, específicos, apesar das diferenças culturais”.

“Identidade de gênero, então, é o sentimento de ser do gênero masculino ou feminino, independentemente do sexo biológico com que a pessoa nasceu. Isso quer dizer que não basta alguém ter nascido com vagina para se sentir mulher, nem com um pênis para se sentir homem.

Transexuais: Pessoas que vão além do sexo biológico com que nasceu e fazem dominar o sexo que sentem ter. São aqueles que não se identificam com os órgãos genitais de nascença. Um exemplo de transexual: Roberta Close. Estas pessoas almejam que seu físico se modifique de acordo com o que elas sentem-se ser, em geral desejam a operação da mudança de sexo e se tratam com psicólogos.

Travestis: Pessoas que vão além do sexo biológico com que nasceram, mas não o desprezam totalmente. Um exemplo de travesti: Rogéria. Estas pessoas não desejam grandes mudanças em seu físico, porque de alguma maneira se sentem homem e mulher simultaneamente, o uso de algumas roupas femininas e a exibição de alguns trejeitos efeminados já é o suficiente para elas, e não objetivam operação de modificação de sexo.

Transgêneros: Pessoas que transitam entre a aparência masculina e a feminina ou vice-versa. Conhecidas como drag queens, drag kings, transformistas, cross-dressers. Um exemplo de transgênero: Léo Áquila. Estas pessoas são aquelas que se travestem para shows, para apresentações artísticas.

Transexuais, travestis, transgêneros, são termos que se aplicam a três categorias diferentes. Considera-se conforme as orientações que obtive que essa divisão é recente.

Esclarecimento: As pessoas costumam confundir ser transexual com nascer hermafrodita. Assim bem explica a Edith Modesto em seu livro: “O mais comum é as pessoas nascerem com órgãos genitais característicos de seu sexo. Mas há casos bem raros de órgãos genitais de ambos os sexos, masculino e feminino, estarem no corpo de uma mesma pessoa, desde seu nascimento. Esses são os hermafroditas ou intersexos”.

“Portanto, quando nasce um bebe hermafrodita, é necessário esperar ele crescer para se averiguar qual será sua identidade de gênero (se ele se sente homem ou mulher), e qual será sua orientação sexual (homo, bi ou heterossexual), como ocorre para todos nós, que em regra geral, começa a se mostrar geralmente, na puberdade”. Uma confusão que fazia demais quando estava em busca de entender o que meu filho vinha passando e como eu deveria tratar de todos estes nomes, categorias e demais, era em querer encaixar se estas três categorias que falei acima (transexuais, travestis e transgêneros) eram homossexuais?

Mais uma vez a Edith Modesto me ajudou e muito e além da explicação ao vivo que ela me passou em seu livro encontrei de forma bem clara e didática: “Transexuais, travestis e transgêneros não serão necessariamente homossexuais, podem ser heterossexuais, homossexuais ou bissexuais, dependendo de sua orientação. Isto é, serão heterossexuais quando se sentirem atraídas por pessoas do gênero oposto ao que sentem ter; serão homossexuais quando se sentirem atraídas por pessoas do mesmo gênero que sentem ter.

Posso dizer que “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

A.M.O.M.

Lançando mão da inteligência para encarar a missão


Quando se fala em exclusão a associação imediata é com minoria de pessoas em se tratando de seres humanos, conecta-se também com o desejo de ser aceito e incluído, como disse no primeiro artigo, tudo isso, independentemente do tipo da exclusão, da idade, da cor, da classe, o ato de excluir é um só, é a rejeição, é o impedimento, a recusa de um indivíduo no sentido mais profundo da questão tratada.

O pior de tudo é que nunca se está pronto para incluir nada e ninguém que fuja do padrão do comum, do aceito em regra geral, por mais que pensemos que sim, e menos ainda, se está preparado para lidar com diversidade quando aparece dentro de casa.

Na fase que hoje me encontro, após três anos de vivência com diversidade evidenciada, exclusão e demais, dentro de casa, busquei entender desde o princípio, talvez pela sorte que disse que carrego comigo, e a Proteção Divina que me assiste o tempo todo, decidindo lançar mão buscando entendimentos, apoio intelectual para formar uma base para encarar a missão que já ocorria, mas que estava na verdade ainda por intensificar, uma aparente homossexualidade migrando para o transexualismo, se isso é possível, ou se na verdade no meu caso toda situação ainda estava obscura e começava a clarear?!.

Assim, comecei procurar entender e montar um acervo próprio com algumas explicações que encontrei e ainda encontro, através de livros, revistas, depoimentos, a querida ONG GPH Grupo de Pais de Homossexuais que eu já vinha participando, a endocrinologista, a psicóloga, a psiquiatra, vivência presencial, enfim todos os meios que estavam ao meu alcance.

Foi falado em minha experiência, sobre disforia de gênero. De forma didática entendi que disforia de gênero é o sentimento de infelicidade ou tristeza quanto ao próprio sexo.

Segundo a tradução de um dos livros de Gerald Ramsey, o Diagnostic and statisc manual (Manual de diagnósticos e estatísticas, IV 1994) da Associação Americana de Psiquiatria apresenta vários componentes do que chama “distúrbio de identidade de gênero”, como exemplo: “Uma forte e persistente identificação cruzada de gêneros, ou seja, o desejo de ser, ou a insistência em que se é do outro sexo...”; “Não apenas... um desejo por qualquer suposta vantagem cultural em ser o outro sexo (mas) evidência de um persistente desconforto com o sexo que lhe foi atribuído, ou um sentido de impropriedade do papel sexual daquele gênero”; e assim por diante...

Lancei mão também em procurar casos iguais, parecidos como o que tinha que enfrentar, quem procura acha, e quando se encontra parece um alívio ao menos por alguns minutos, dando a impressão de organização dos arquivos de sua cabeça que ainda não entende que é possível você ter que passar por toda a experiência a priori amarga.

Quando se lê algo claro e organizado sobre um tema que se desconhece por inteiro, não se tem formação de opinião e é assustador para lidar, porque atingi minoria, colabora para a ficha começar a cair, como um dos muitos depoimentos que já li, mexeu comigo e se encaixou com minha missão e com o que estava vivenciando:

Depoimento do Joãozinho (Extraído do Livro de Gerald Ramsey): ...“Aos treze anos, Joãozinho está deprimido. Toda sua vida ele se sentiu como uma garota. Quando era menor, divertia-se com bonecas e outros brinquedos tradicionais de meninas. Quando brincava de casinha, queria ser a “mamãe”. Joãozinho ficou especialmente perturbado quando cresceram os pêlos à volta do pênis que ele nuca chegou a aceitar. Invejava as garotas cujos seios ganhavam volume, invejava os seus sutiãs e outras peças de roupa.Queria andar de vestido, enrolar os cabelo e continuar a brincar de casinha(o que fez, secreta e o mais frequentemente possível). Embora Joãzinho tivesse fantasias sobre ser uma garota, sentia-se culpado.Para agradar seu pai, tentava “ser um homem”, mas nunca conseguia ser convincente. Durante o primeiro grau, Joãzinho caiu em uma depressão mais profunda e começou a pensar em se matar. Planejou por um vestido pregueado e saltar de uma ponte alta próxima de sua casa.Já que não conseguia se adaptar, por que continuar vivendo?As pessoas ficariam melhor se ele simplesmente desaparecesse.Joãozinho sofre de disforia de gênero. Uma melhor avaliação provavelmente irá mostrar que ele é um transexual”...

Como falei, parece que, quando lemos ou ouvimos, histórias, experiências como as que temos que enfrentar, parece nos dar um fôlego para repaginarmos nosso manual de como podemos lidar, construir um novo formato de vida com a nova situação que às vezes cai em nosso caminho como um pára-quedas desnorteado.

A.M.O.M.